Carta aberta aos anti-petistas

Caros amigos, deve ser difícil entender como alguém ainda defende um governo repleto de denúncias de corrupção, envolvido em escândalos e apontado como causador de tantos problemas à economia brasileira.

Deve ser difícil para você entender como esse partido consegue o apoio de pessoas reconhecidamente inteligentes e de bem, como o filósofo Leonardo Boff, o compositor Chico Buarque, o escritor Fernando Veríssimo e milhares de mestres e doutores, intelectuais cuja idoneidade moral, conduta ética e Inteligência não podem ser questionadas.

Bom para entender isso, é preciso se permitir aceitar que essas pessoas, que se destacam pela inteligência, enxergam a realidade do Brasil através de uma lente diferente da sua.  Olhando por esse prisma, os vários grupos que disputam o poder no Brasil, a grosso modo podem ser posicionados do lado direito e do lado esquerdo do poder.   Em nenhum desses lados há unidade plena de pensamento, mas visão de mundo semelhante.

Os que estão do lado direito entendem que a sociedade deva se organizar a partir das leis de mercado; que o atual sistema econômico a fortalece selecionando vencedores de derrotados, preguiçosos de empreendedores.  No geral, acreditam que essa sociedade tem o direito de se defender dos fracos que se tornam ameaça.  É comum defenderem a repressão, a pena de morte, a redução da maioridade penal etc. São detentores do poder econômico, donos das mega empresas, indústrias e bancos, bem como dos meios de comunicação.

São a elite dominante. Defendem um Estado fraco, que permita à sociedade se fortalecer a partir da valorização dos mais fortes.  Usam o poder que têm para impor o seu pensamento seja pela força, ou pelo convencimento ideológico.  Assim, conseguem a façanha de tornar os mais frágeis, suas próprias vítimas, seguidores do seu pensamento.

Do lado esquerdo, estão os que acreditam que a sociedade deva se organizar a partir das necessidades do ser humano.  Valores como a igualdade de oportunidades, a fraternidade, a solidariedade e a liberdade são almejados para todos.  No geral acreditam que os fracos que ameaçam a sociedade são produto do próprio sistema que os abandonou à própria sorte, negando-lhes oportunidades que os mais favorecidos têm em excesso. Defendem um Estado forte que seja o agente de equilíbrio da sociedade, favorecendo os mais frágeis para permitir também seu crescimento.

Mais do que nunca esses dois pensamentos estão em disputa no Brasil de hoje.  De um lado o grupo da esquerda liderado pelo PT, que comanda um governo em que os lados direito e esquerdo se “uniram” para comandar o País.  Do outro os que estão fora do governo, seja à direita ou à esquerda.

Como assim, tem gente do grupo da esquerda que é oposição ao governo, como pode? Simples, para estes o governo liderado pelo PT não está no lado esquerdo e sim no lado direito, por isso se posicionam mais à esquerda do PT e o combatem como adversário do grupo de esquerda.

Para ficar claro: temos dois grupos de oposição ao Governo petista: os que estão à direita e os que estão à esquerda da esquerda.  Complicado? Sim! Se fosse simples não teríamos tanta confusão no País hoje.

Os opositores ao governo do PT são de dois tipos: Já falamos sobre a elite conservadora que quer manter a sociedade como está: os donos do poder econômico e da mídia.   O outro, são os grupos e partidos de esquerda insatisfeitos que querem ainda mais avanços sociais através do rompimento imediato e definitivo com a elite conservadora do País. Seu poder é pequeno, sua capacidade de mobilização é limitada, mas vale a lembrança para que você entenda que existe alternativas ao modo petista, sem necessidade de se submeter aos da direita.

Já o PT e seus aliados do lado esquerdo, são partidos que resolveram “governar conforme a música” do sistema capitalista.  Optaram por participar do sistema e dentro dele implantar mudanças sociais.  De um lado mantêm a economia organizada conforme as regras ditadas pela elite poderosa, de outro priorizam as ações no campo das políticas públicas que auxiliam os mais pobres a se libertarem.  Exemplos disso são o bolsa-família, o Mais Médicos, a Política de Cotas, o financiamento da educação, os IFs, Minha Casa Minha Vida etc.  É como se os operários tivessem assumido o comando da fábrica, mas a administrasse seguindo as regras do patrão.

Esse modelo produz ódio na elite dominante que vê seu domínio ameaçado pela ascensão da classe trabalhadora.  Produz também protestos dos grupos mais a esquerda, que não aceitam a composição do governo com as instituições capitalistas.

No meio desse conflito está grande parcela da população que forma sua opinião a partir do que “alguém disse” ou pelo que saiu na TV e na mídia conservadora em geral.  E essa mídia age a serviço dos da direita, incitando o ódio a tudo que não lhe convém.

Os detentores do poder econômico, não têm escrúpulos emcolocar no governo petista a culpa que é deles próprios. A corrupção, por exemplo, praticada por baixo dos panos há séculos, agora é atribuída ao governo do PT.  Isso me faz lembrar uma estrofe do poema “Comício em Beco Estreito” do poeta Jessier Quirino, que diz:

“Com voz de vento encanado
Com os viva dos babão
É só dizer que é mentira
Sua fama de ladrão
Falar dos roubo dos home
E tá ganha a eleição.”

Pouca importa se o País tem três poderes.  Que cabe ao Legislativo fazer as leis, ao Judiciário o seu cumprimento e ao executivo a sua execução.  Tudo vira culpa do Governo.

Pouco importa se no Brasil há divisão de responsabilidades entre os governos federal, estaduais e municipais. Tudo é culpa de Dilma!  Pouco importa se o Governo está submetido a um sistema que tem vida própria e que obriga a todos a dançar conforme a sua música.

Concordemos ou não, o governo do PT, tirou o Brasil do mapa da fome da ONU, levou mais de 30 milhões de pessoas à classe média, e catapultou muitos da classe média à classe alta, está combatendo a miséria no País, e permitindo uma legião de filhos de pedreiros, lavadeiras e porteiros conquistarem seu diploma de doutor.

Isso tudo parece não ter a mínima importância diante do bombardeio de críticas liderado pela Rede Globo, diga-se de passagem na sua maioria distorcidas ou mentirosas.  E é assim, seguindo feito cegos essas informações, que até mesmo os que mais precisam das ações do PT “escarram na boca que lhe beija”, parafraseado Augusto dos Anjos.

Enfim, a não ser que você seja um mega investidor, acionário da rede Globo, sócio de um banco, proprietário de uma gigante industrial ou empresarial, assumir o discurso da classe dominante é sinônimo de estar sendo usado por eles para lutar contra seus próprios interesses.

Nadando contra essa maré estão os da esquerda da esquerda e pessoas como os intelectuais citados no início do texto. São pessoas que conseguiram escapara da “caverna de Platão” e estão de volta para avisar que o que você está vendo através da lente da TV são apenas sombras.  Que fora dessa caverna, onde a mídia e a elite conservadora lhe mantêm prisioneiro, existe uma realidade que está longe de ser perfeita, justamente porque ainda não atuamos sobre ela, de forma livre.

Corrupção

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