Quando o Espiritismo é neutro

Conta-se que na NASA quando um cientista discorda dos outros, todos param para ouvi-lo.  Afinal, trata-se da opinião de um expert com um currículo invejável.  Lembrei disso, quando pessoas que considero de alto nível, defenderam a tese da neutralidade política da doutrina Espírita.

Em um olhar apressado a defesa parece completamente descabida, ante uma filosofia que defende o progresso como Lei Divina e a ação das pessoas como elemento acelerador da chegada de uma nova ordem social. Mas parando para “ouvir” é possível sim aceitarmos a condição na qual a parcialidade política da doutrina seria realmente inaceitável: o pronto-socorro espiritual.

Em um cenário de opressor e oprimido, grita a razão que a doutrina escolha o lado do oprimido, sem pensar duas vezes. Mas quando é o pedido de sincero de socorro que ecoa, pouco importa em qual o lado da contenda estava o sofredor.  É preciso prestar-lhe auxílio enquanto irmão.

Em um País no qual a prática do Espiritismo é exercitada quase sempre a partir de verdadeiros hospitais espirituais não é difícil compreender a resistência em sair da neutralidade. As Casas Espíritas, enquanto prontos-socorros, não podem escolher lado, da mesma forma que não devem escolher quem será atendido.

Bem diferente é quando imaginamos Centros Escolares, onde o reinado é o do conhecimento moralizante. Nesse caso, mesmo havendo a cadeira reservada ao opressor, este teria que ser confrontado com a verdade Evangélica teorizada e praticada.  Imagine um Centro de Estudos Espíritas na época do Brasil Colônia, se omitindo diante da escravidão e fica fácil entender o quanto a omissão às causas sociais continua sendo incoerente até hoje.

Desta reflexão, segue-se em primeiro lugar que é preciso exercitar a tolerância para que aconteça o entendimento.  Depois, que o Movimento Espírita precisa urgentemente assumir o papel principal da Doutrina que é o de Escola de Almas, apoiadora maior das transformações sociais, sob a luz do Evangelho libertador.

E quanto à neutralidade? Deixará de ser encarada como máxima e será exercida apenas no seu devido lugar: as Casas que se dedicam à misericordiosa missão de socorrer os doentes de corpo e alma.

(Leilton Lima)

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