Amazonas modernas

Leilton Lima*

A história das Amazonas enxerta no nosso imaginário, belas mulheres de armadura marchando em poderosos cavalos impondo, aos homens um respeito até hoje negado de forma integral à população feminina.  Esse cenário mitológico esconde uma simbologia inquietante: as Amazonas eram submetidas a treinamentos militares nos quais seus corpos, forjados pela natureza para ser o receptáculo de formação da vida, mudavam artificialmente de função. Passavam a ser máquinas especializadas em matar.

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As mãos que colhiam e manipulavam o alimento que sustentava a vida, agora eram hábeis em abrir buracos e talhos na carne, e partir ossos dos adversários.  As Amazonas assimilaram dos homens o que eles tinham de pior.  Como ser diferente numa sociedade em que parir era sinônimo de escravidão e matar era caminho de poder?

Diante de uma moral constituída de valores distorcidos, onde a prática do que é certo leva à servidão, é perfeitamente compreensível que as ações se movam para o lado dos valores dominantes.

A humanidade evoluiu mas a essência da dominação entre homens e mulheres não mudou. O Sistema Capitalista impõe a competição como valor sagrado, em detrimento da cooperação. A sensibilidade atrapalha. A rudeza fortalece. A guerra saiu dos campos de batalha e foi para o ambiente corporativo.  A ganância é a mesma, a carnificina continua só que agora os talhos são na alma, criando sequelas enlouquecedoras na forma de doenças como depressão e síndromes diversas.

As mulheres abandonaram seus confortáveis vestidos e exigiram o direito de usar as armaduras apropriadas para esse tipo de batalha.  Conquistaram, então, o “direito” de usar os ternos masculinos adaptados para suas formas curvilíneas.  Foram, literalmente, à luta.  Que escolha tinham, se a dignidade e o direito jamais seriam conquistados no ambiente cooperativo da comunidade?

Com o princípio feminino relegado a algo próximo do nada, as Amazonas modernas saíram de suas casas para conquistar aquilo é socialmente valorizado, usando as armas que permitem a conquista desses valores: as masculinas. Provando a cada dia sua capacidade de adaptação, a mulher chegou ao Poder nas maiores nações do mundo.  Mas essa conquista não significou a chegada do feminino ao poder.  O governo de Margareth Thatcher na Inglaterra, por exemplo, não poderia ser mais masculino no que esse princípio tem de pior.

Hoje, falar de diferenças de funções entre homens e mulheres é praticamente uma heresia.  É algo como se defender a volta delas para a semiescravidão doméstica.  Enquanto o ambiente corporativo é emancipador, o lar e tudo o que o cerca é uma bolha de atraso. A gravidez deve ser evitada ao máximo por ser também um obstáculo ao avanço na desumana carreira mercadológica, cujas regras foram criadas hegemonicamente pelos homens.  As mulheres não mudaram as regras do jogo.  Se adaptaram a ele.

Mas a questão é que mulheres e homens são diferentes sim.  Suas características orgânicas e espirituais apontam para habilidades naturais diferenciadas.  Obviamente, todo ser humano tem a capacidade de adaptação e desenvolvimento de novas habilidades.  A questão é: o que está levando a essa mudança de atitude nas mulheres, faz bem para a humanidade?

O fato de um jogador de futebol ganhar milhões e uma professora ganhar apenas um punhado de reais, não deveria nos fazer aceitar passivamente que a jovem vocacionada para a docência largue seu sonho natural e parta para treinar seu corpo, almejando chegar à seleção feminina de futebol.  É de uma obviedade escancarada que o certo seria uma inversão de valores na qual a professora fosse empoderada em todos os sentidos.

Não há erro em afirmar que homens e mulheres são diferentes.  Não há opressão em se dizer que essas diferenças levam ambos a executarem naturalmente tarefas diferenciadas com maior eficácia.  O problema, inaceitável, é que as funções masculinas sejam supervalorizadas, mesmo quando belicosas, opressoras e desumanas e as femininas sejam subvalorizas mesmo quando humanizadoras, pacificadoras e progressistas.

Pior ainda é quando diante dessa desvalorização, as mulheres abandonam suas vocações naturais, vestem suas almas com as armaduras masculinas e partem para a disputa daquilo que não mais deveria ser valor para a sociedade.   Lugar de mulher é onde ela quiser estar, até mesmo na cozinha.  Desde que essa escolha seja plenamente livre e não signifique perda de direitos e desequilíbrio nas relações de poder entre os gêneros por estar fora das regras impostas pelo Capital.

Precisamos de mulheres sendo naturalmente mulheres. Ao impor, por ação e omissão, que a mulher largue suas funções naturais e entre na disputa dos valores masculinos Capitalistas, a sociedade paga o altíssimo preço do vazio deixado.  E a cobrança vem na forma da desarmonia que gera violência e dor para homens e mulheres.

*Leilton Lima é jornalista e pesquisador Espírita

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